No golfe, assim como em outras modalidades, é comum o relato de dores e lesões decorrentes da prática esportiva. Quando o corpo fala, é sábio escutá-lo. Provavelmente você sabe que não é saudável tomar analgésicos para jogar, mas ainda assim você teima em não procurar um especialista, não é verdade?

Em primeiro lugar, entenda que essa resistência a procurar um profissional que possa ajudá-lo a diminuir ou eliminar as dores tem uma explicação. Nosso cérebro tem uma tendência natural a criar padrões. Muitas vezes, nós até sabemos que são nossos maus hábitos que estão nos prejudicando, mas tememos que procurar um especialista nos levará a mudar certos hábitos e rotinas. Isso coloca o cérebro em alerta e faz com que evitemos aquilo que poderia nos obrigar a fazer mudanças.

Em segundo lugar, entenda que treinar e jogar com dor – ou sob o efeito de analgésicos – é algo que precisa ser evitado. Quando em dor, o controle motor do corpo é alterado. Certos músculos ficam inibidos e, com isso, outros ficam sobrecarregados. Adotam-se movimentos de compensação e proteção na hora de bater na bola. Com isso, quanto mais você repetir um swing errado, mais irá reforçar um padrão de movimento errado no seu cérebro.

Causas da dor –  Quando falamos de dor e lesão, o primeiro passo é identificar a causa. Segundo o Titlest Performance Institute (TPI), os mecanismos que mais levam à lesão são: 1) biomecânica corporal, 2) biomecânica do swing, 3) excesso de prática (overuse), 4) programa de exercícios irregulares, 5) nutrição, 6) club fitting inadequado. Ah! Os sapatos também podem influenciar.

Ferramentas como a avaliação TPI e a avalição 3D do K-Vest são peças fundamentais para a elaboração de um programa de exercícios específicos e assertivos. Um grande mito é pensar que o programa de treinamento para golfistas limita-se apenas a aquecimentos e alongamentos ou que o programa será demasiadamente exaustivo.

Diferença – Nem muito, nem pouco, apenas o necessário. Acredite, muitos programas começam com pequenas doses de exercícios diários e isso já é o bastante para melhorar as dores e a condição física do golfista. Com um programa de treinamento básico, muitos já relatam uma maior facilidade de fazer o swing, com ganhos de distância, velocidade e consistência e menos cansaço.

Existe a dor da mudança e a dor da negligência. Qual você vai escolher para a sua vida?

* Deborah Nespolo Martins, da Academia GolfRange Campinas, é Fisioterapeuta especialista em Golf performance & rehab, com certificado TPI, experiência com K-Vest e TrackMan, além de trabalho com acupuntura, liberação miofascial, pilates, kettlebell (peso com alça) e cupping (ventosas), entre outros.