Deborah Nespolo, fisioterapeuta especializada em golfe, com vários cursos de especialização e certificações internacionais, foi fundamental para o sucesso das três semanas de aulas que o profissinal do PGA Tour Alexandre Rocha ministrou na Academia GolfRange Campinas.

Nessa entrevista ao jornalista Ricardo Fonseca, Deborah fala da importância de seu trabalho, de como se apaixonou pelo golfe e de como decidiu dedicar sua vida profissional a esse esporte. Uma leitura muito importante para quem joga e que entender melhor o esporte que escolheu.


 

Ricardo Fonseca: Deborah, você já era formada em fisioterapia quando e como você conheceu o golfe?

Deborah Nespolo: Eu havia acabado de passar uma temporada da Super Liga em um time de vôlei e me apaixonei pela fisioterapia esportiva. Foi quando assisti a um torneio de golfe e me encantei com o esporte. Comecei a fazer aulas de golfe em setembro de 2015, na Academia GolfRange Campinas, com o professor Edemilson Correa, o Babalu, e dois meses depois eu tive a oportunidade de entrar na equipe do clube para cuidar da área de preparação física.

 

RF: O que te levou a escolher o golfe como especialização, dentro de sua profissão?

DN: Minha temporada na Super Liga de vôlei, em 2012/2013, despertou minha paixão pela Fisioterapia Esportiva e logo no meu primeiro contato com o golfe eu me apaixonei por toda beleza que envolve esse esporte. Naquele exato momento eu já soube que era para esse esporte maravilhoso que eu iria dedicar minha carreira. O que me encantou no golfe foram duas coisas: o swing e o estilo de vida do golfista.

 

RF: O que, exatamente, tem encantou nessas coisas?

DN: O swing é um movimento simples, mas que precisa ser executado com precisão. O golfe é um esporte de precisão. E isso exige que o jogador tenha controle e qualidade de movimento. E isso é a minha especialidade.

Já o estilo de vida é fator decisivo na qualidade de vida e na saúde do indivíduo. O golfe não se resume apenas ao jogo e ao gesto esportivo, mas também ao contato com a natureza, a exposição ao Sol, que é tao importante, a caminhar e a mover todas as articulações durante o swing, E há a necessidade de se concentrar, planejar e executar, além da socialização entre os jogadores, sempre de forma respeitosa. O golfe expõe o jogador a situações da vida real como pensar sob pressão, lidar com a vulnerabilidade e isso vai fazendo com que, através de esporte, a habilidade de lidar com esses tipos de situações seja treinada. Por isso digo que o golfe é um esporte completo e único. Uma língua internacional que une pessoas de diferentes culturas e regiões. Um golfista sempre entende o outro golfista.

 

RF: Quais cursos você fez, quais planeja fazer e como essas extensões universitárias ajudam no desempenho de seu trabalho.

DN: Eu sou formada em Fisioterapia. A minha primeira especialização foi em terapia manual e, depois, em acupuntura. Antes de chegar ao golfe também me especializei em treino funcional e pilates. Todo meu background me ajudou no approach do trabalho com o golfe. Com a certificação pela Titlest Institute Performance (TPI), o meu trabalho ficou ainda mais focado e especializado no golfista. Atualmente estou na minha segunda certificação pelo TPI e a experiência com as tecnologias de ponta do Trackman e o K-Vest adicionaram mais informações e componentes ao meu atendimento.

 

RF: Como é trabalhar com golfistas? Por ser um público diferenciado é mais fácil obter respostas positivas para as orientações que você transmite?

DN: Trabalhar com golfistas é ótimo porque, amadores ou profissionais, eles são apaixonados pelo esporte e com isso eles estão sempre interessados e motivados a melhorar e evoluir. O fato de eu também jogar golfe faz com que a comunicação seja ainda mais assertiva.

 

RF: Você sempre orienta os golfistas a manter rotinas, como de aquecimento antes das atividades, e alongamento após elas. Em que medida esse público segue essas orientações e quais os problemas que podem acontecer com quem não segue?

DN: O golfista que está em um programa de preparação física logo percebe a importância e a diferença que faz preparar o corpo antes e depois do jogo. Em geral, quando um jogador não faz o devido aquecimento antes do jogo, ele acaba tendo um movimento não tão bom até o corpo “acordar”, além de estar mais suscetível a lesões. Após o jogo, uma rotina de recuperação é importante, principalmente em torneios de dias consecutivos, para que o corpo esteja em boas condições para o dia seguinte.

 

RF: Por que todo golfista deve fazer uma avaliação física periódica?

DN: A avaliação fisica é importante para o golfista porque ela traz muitas respostas e informações úteis quando se precisa melhorar ou arrumar algum ponto no jogo. Reavaliar periodicamente é fundamental como saber como está sendo a resposta às intervenções que foram feitas e também é um guia  de como e por onde progredir no plano treinamento.

 

RF: Como está sendo a experiência de trabalhar com um profissional de PGA Tour, como o Alexandre Rocha, que traz uma bagagem de valorização desse tipo de trabalho, tão comum nos EUA, onde é exigido desde as equipes colegiais e universitárias?

DN: A experiencia com o Alexandre foi muito rica. Tivemos muita troca de informações e experiência antes e depois de cada aula. A equipe de profissionais com que o Alexandre trabalha nos EUA é de altíssima qualidade, o que fez com que a troca de informações fosse de alto nível.  As informações obtidas com a avaliação TPI ajudaram muito na hora de o Alexandre avaliar, diagnosticar e trazer as soluções para cada aluno. Como a avalição TPI examina exatamente os pontos fundamentais para o golfe, o coach consegue saber se o erro esta vindo da técnica ou do fisico, e com isso a correção é muito mais assertiva e eficiente. O Alexandre, por ser jogador profissional de alto nível, entende muito bem a importância da preparação física para o desempenho durante os torneios. A parte física faz parte da rotina diária de treino dele, assim como o treino técnico. Isso faz a experiência ser muito rica tanto para mim, quanto para os alunos. Com certeza fez a diferença.

 

RF: Por ser o golfe um esporte unilateral, há maiores possibilidades de lesões provenientes do movimento repetitivo do swing e posturas curvadas como nos longos treinos com putts. Isso por ser evitado ou apenas atenuado?

DN: Dois fatores geralmente levam a lesões no golfe: padrão de movimento errado e falta de preparado fisico para o esporte. Dentro de um programa de treinamento especifico esses dois fatores são resolvidos, evitando lesões. O único efeito colateral é que o jogo vai melhorar e muito.

 

RF: Qual a recomendação que você daria a todos os golfistas, desde os que estão começando até os de alto rendimento.

DN: Dediquem-se ao preparo fisico tanto quanto vocês se dedicam ao treino técnico e vocês terão menos frustração e mais satisfação no golfe.